segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O Sol e as memórias

     Seu cabelo ainda está no meu travesseiro. Seu cheiro ainda está grudado em mim. Só faz uma semana que você foi embora, mas eu sei que dessa vez você não vai voltar. Então eu fico me agarrando às lembranças de nós dois, enquanto tento ignorar o sofrimento.
     Já tentei várias maneiras de me libertar, mas você parece sempre vencer. Exausta pelas tentativas, eu cedo e me deixo levar com a avalanche de memórias.
     A certeza da perda é maior que a esperança do reencontro; de qualquer maneira, eu procuro seu olhar no meio da multidão de semblantes desconhecidos. Faço isso até que eles se tornem ameaçadores, e então eu fecho os olhos, resignada.
     Agora você está longe, eu sei, e não há mais nada que eu possa fazer. O que me acalma é pensar que o Sol que me acorda é o mesmo que banha a sua pele, todas as manhãs. E assim, dou início a mais um dia sem você. Porque é desse jeito que as coisas devem ser.

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