Você nunca esteve lá quando eu precisei
Por mais que eu procurasse, eu nunca te encontrei
Você nunca fez parte do que eu chamo de família
talvez por causa da sua obsessão doentia
Você não me conhece, nem nunca conheceu
E eu ainda pergunto o que foi que aconteceu
Sempre substituiu sua presença por dinheiro
Mas e se eu precisasse de carinho primeiro?
Você vive prometendo que vai mudar
Pena que nisso eu não consigo acreditar
Pense em mim quando olhar para trás
Não dá tempo de consertar seus erros
Não dá tempo de voltar atrás
Até quando vamos continuar vivendo como estranhos?
(01/02/2011)
quinta-feira, 26 de junho de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
Resenha – O Bebê de Rosemary
A
história, que é narrada em terceira pessoa, se desenvolve com uma
dose certa de mistério. Rosemary passa grande parte da trama sem
desconfiar de nada. Quando ela percebe que está sendo manipulada por
aqueles que ela pensou poder confiar, sentimos seu desespero ao
descobrir gradativamente que todas as pessoas próximas a ela estão
envolvidas no terrível pacto, ao mesmo tempo em que tenta se livrar
do terrível futuro que espera por ela e o bebê.
É
interessante notar os diversos paradigmas usados por Ira. O casal de
velhinhos, que teoricamente não seriam capazes de machucar ninguém,
se transformam em poderosos bruxos com intenções satânicas. O
marido de Rosemary, que aparentava ser tão amável para com a
esposa, acaba fazendo parte da seita. A personagem principal,
anteriormente católica fervorosa, se vê vítima de um dos planos
mais satânicos da história.
A
principal “brincadeira” feita pelo autor tem relação com Rose e
a religião: assim como Maria, ela foi escolhida dentre várias
mulheres para abrigar o fruto do que seria um divisor de águas para
a humanidade. Tomando a história por esse lado religioso, fica bem
clara a dualidade bem/mal embutida no enredo.
O
autor consegue prender a atenção do leitor com um suspense
constante e bem manipulado, fazendo com que sintamos na pele o
desespero da mulher, que luta pela segurança do bebê. O livro é
curto e direto e o desenrolar dos fatos acontece de forma coesa e
ininterrupta, quase como um soco na barriga a cada página.
A
linguagem é simples e os diálogos são diretos; há pouco
rebuscamento, o que provoca uma imersão na realidade da vida do
casal, que várias vezes conversa sobre assuntos cotidianos como a
mobília do apartamento novo.
“O
Bebê de Rosmeary” é um ótimo livro para os amantes do suspense,
que conduz o leitor para um final inequívoco e ainda assim
surpreendente.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Platônico
Na inércia de tudo
sua imagem permaneceu
O reflexo era puro
distante do que já morreu
Tentei te refazer
na minha mente e no papel
e a cada amanhecer
a vontade era mais cruel
Mas do que adianta
procurar e não receber?
Se por onde você anda
meus pés nunca vão correr
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Resenha - Persépolis
O filme se inicia mostrando
a infância de Marjane, junto de seus parentes adeptos de filosofias ocidentais.
A menina, que é educada de modo a perceber várias falhas no sistema e na
sociedade em que vive, é mandada à Áustria para estudar. Lá, ela desenvolve sua
personalidade e descobre um modo de vida completamente diferente do que estava
acostumada em Teerã, a cidade onde cresceu.
Através de uma
narrativa bem-humorada que mescla a história de um país com acontecimentos
pessoais vividos pela autora e personagem principal, Persépolis consegue prender o espectador ao mesmo tempo em que
relata as dificuldades existenciais de Marjane. Ela, que se sentia incomodada
com as imposições de seu país, também experimenta uma espécie de deslocamento
na Áustria, sentindo-se insegura por ser do Irã.
À medida que a trama
vai se desenvolvendo, o espectador acompanha capítulos da vida de Marjane, que
são apresentados em preto e branco e com um traçado simples, que não se
preocupa em ser realista.
Não é necessário um
conhecimento prévio muito profundo acerca do Oriente Médio para simpatizarmos
com Persépolis; o filme explica de
forma leve e coesa a realidade daquela região, podendo ser classificada como
uma animação voltada principalmente para o público adulto, mas que entretém a
toda a família.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Relatos (bem-sucedidos) de uma entrevistadora de primeira viagem
Os
ponteiros do relógio marcavam 19:27 quando eu consegui, finalmente, chamar um
táxi. “Vou chegar atrasada”, pensei, enquanto terminava de colocar meus
pertences dentro da bolsa e corria para o portão. Eu estava prestes a viver uma
das experiências jornalísticas mais incríveis da minha vida, e minhas unhas
sofriam as consequências da minha ansiedade.
Quando a banda Hocus Pocus
respondeu meu contato e disse que sim, seria possível marcarmos uma entrevista,
quase pulei de alegria. Comecei a pesquisar e formular perguntas freneticamente,
me empolgando com os resultados e sorrindo ao imaginar as possíveis respostas.
Ao chegar ao local combinado
(menos atrasada do que o calculado), consegui entrar rapidamente devido ao
horário. Conversei com os seguranças, que me levaram até o sushi bar, onde a
banda se preparava para lanchar. “Será que você poderia esperar uns 15
minutinhos? Nosso ‘rango’ acabou de chegar”, o líder da banda me disse amigável
e timidamente após uma breve apresentação. Eu disse que “sim, claro, estarei na
mesa ao lado. Sem pressa”. E esperei, enquanto testava o gravador e conferia as
perguntas nervosamente.
Depois de algum tempo, o
mesmo integrante se aproximou da minha mesa e sorriu: “Vamos lá?”. Juntei
minhas coisas enquanto ele me explicava que seria melhor que a entrevista fosse
do lado de fora, já que a música ali dentro era muito alta. Após confirmar a um
segurança que eu estava com a banda e ter minha passagem liberada, segui-os
para uma escada misteriosa que dava para a rua. Os cinco integrantes então
atravessaram a rua e se dispuseram em fila em uma pequena mureta; eu pedi para
fazer umas fotos da banda e eles atenderam prontamente, discutindo entre si
qual seria a melhor maneira de se posicionarem para a foto. Enquanto destampava
a lente da câmera e arrumava suas configurações, pensei “pelo visto eles são
todos simpáticos”. Para meu alívio, minha observação seria confirmada durante
toda a nossa conversa.
Dei início à entrevista
perguntando sobre a tradição da banda, que é a mais antiga de Belo Horizonte a
fazer cover dos Beatles. Eles então começaram uma história sobre um grupo de
amigos montando uma banda para tocar como hobby, que teve o sucesso reconhecido
e resolveu ampliar os horizontes. A cada pergunta feita, eles descontraíam a
resposta, contando histórias divertidas (toda banda as tem aos montes) e
fazendo questão de detalhar bem as respostas, para que eu pudesse entender.
O andamento da conversa foi
extremamente tranquilo, já que eu entendia bem do assunto e soube escolher as
perguntas certas. Como observadora nata, fui notando as características mais
perceptíveis de cada membro. O baterista, Jô Andrade, fazia o estilo “paizão”,
e respondia às perguntas com uma história sua ou de alguém da família. O
guitarrista principal, Beto Arreguy, era extremamente educado e cavalheiro;
notei isso a partir de sua apresentação formal, com direito a um aperto de mão,
e pela prontidão com que ele pegou uma caneta que deixei cair enquanto pegava
algo em minha bolsa. O baixista, Walter Andrade, também gostava de contar
histórias, talvez por ser o mais velho da banda. O vocalista principal e
guitarrista, Vlad Magalhães, fazia o tipo “esquisitão”; ficava mais calado e
parecia preferir responder a perguntas de ordem técnica e diretamente musical,
como as canções difíceis de reproduzir no palco. Simpatizei especialmente com
ele, talvez por seu jeito doce e paciente. O tecladista, por último, permaneceu
calado durante toda a entrevista, não sei se por timidez ou alguma espécie de
indiferença. Seu nome era Sylvio Campos e ele se destacava entre os outros
quatro por ser bem mais jovem que eles.
Após riscar todas as
perguntas da minha folha, a entrevista, que no final já tinha tomado o rumo de
uma conversa entre amigos, terminou, justo no momento em que o Jô pedia licença
para ir ao banheiro. Agradeci imensamente a atenção da banda, muito satisfeita
com o que tinha conseguido mas, principalmente, por eles terem sido tão
simpáticos e tornado meu trabalho tão fácil. Me despedi de todos eles e voltei
para o pub, onde esperei o início do show encostada no bar, com uma sensação de
dever cumprido. Quando eles subiram ao palco, fiz questão de prestigiá-los na
primeira fila, cantando todas as músicas daquela banda que era tão importante
para eles e para mim.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Você
Depois de passar muito tempo refletindo sobre o porquê da gente não ter dado certo, eu cheguei a algumas conclusões básicas que eu não consegui perceber antes por pura ingenuidade.
Você não merece minha angústia, e nem mesmo minha felicidade. Você não merece meu carinho ou meus afagos. Você não merece nem mesmo meu sorriso.
Você não vale minhas horas de sono perdidas, e muito menos as lágrimas do meu travesseiro. Você não vale os acordes das músicas que me lembram a sua presença... Elas são muito melhores que você. Você não vale o meu tempo perdido na frente do espelho me arrumando para te ver; você não vale o meu perfume mais barato.
Eu deveria ter percebido isso mais cedo, mas o sentimentos atribuídos a alguém nos fazem ter uma percepção de valores geralmente não condizente com a realidade. Tudo não passou de um equívoco... Mas agora eu sou capaz de afirmar, do alto da minha lucidez (e modéstia): você não merece alguém como eu.
Você não merece minha angústia, e nem mesmo minha felicidade. Você não merece meu carinho ou meus afagos. Você não merece nem mesmo meu sorriso.
Eu deveria ter percebido isso mais cedo, mas o sentimentos atribuídos a alguém nos fazem ter uma percepção de valores geralmente não condizente com a realidade. Tudo não passou de um equívoco... Mas agora eu sou capaz de afirmar, do alto da minha lucidez (e modéstia): você não merece alguém como eu.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
O lado escuro das redes sociais
As redes
sociais, criadas para o compartilhamento de opiniões e relacionamento em seu
sentido mais abrangente, deixaram de ser meras estruturas de socialização para
se tornar um fenômeno quase global.
Entre os
jovens, a “febre” vai desde um site em que é possível criar um perfil virtual
para se relacionar com pessoas até um servidor para microblogging onde o usuário pode expor o que pensa – em até 140
caracteres. Além dos exemplos citados, existem vários outros tipos de redes que
seguem o mesmo propósito básico: a interação entre usuários.
A
exposição pessoal, que surge como inerente a esse intercâmbio cibernético, deve
ser considerada na medida em que esbarra em alguns problemas. Um deles é o bullying (do inglês bully, ou valentão), classificado como qualquer ato de violência
física ou psicológica praticado de maneira intencional e contínua para fins de
intimidação. Se o termo em si já é um produto da modernidade, o recente bullying virtual ainda encontra
barreiras, uma vez que não existem leis no Brasil e em muitos outros países que
criminalizem esse tipo de ato.
A
associação dos fatores mencionados acima nos remete a um acontecimento relativamente recente,
de ampla repercussão: o suicídio da jovem inglesa Hannah Smith, de 14 anos. De acordo
com seu pai, a garota sofria insultos através do Ask.fm, uma rede social cuja
ideia é um jogo de perguntas e respostas. Foram encontradas em sua página
várias ofensas anônimas, que insinuavam que ela deveria se matar.
O que
deve ser pensado a partir do ocorrido é o peso negativo que o anonimato exerce
nas redes sociais, quase como um incentivo ao bullying e/ou práticas mal-intencionadas em geral. É relativamente
fácil encontrar o perfil de alguém, por se tratar de uma rede aberta e
interligada. E justamente pela impunidade já citada anteriormente, somada à
opção de postagem anônima, o cyberbullying
se torna uma prática impensada que pode ter consequências graves para a vítima.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Sobre o fim
Para me lembrar de você, não preciso de muita coisa. Basta eu dar play naquela música para que, inconsciente e subjetivamente, todas as lembranças mostrem a cara. Nem sempre são lembranças boas, admito, mas o conjunto delas é suficiente para estancar o sofrimento.
Engraçado pensar que quando tudo começou não era nada sério. Eu fui me deixando levar pela despretensão, sem nem ao menos pensar no fim que a nossa "história" poderia ter.
A música continua tocando... Aquela música que me fez chorar como uma criança ao perceber que não, eu não te encontraria ali no meio da multidão. Nem ali, nem em lugar nenhum. Cada nota do piano parecia caçoar de mim, dos meus sentimentos tão frágeis quanto as lágrimas que eu tentei esconder com os óculos de sol.
Você ainda pensa em mim quando alguma música começa a tocar? Você ainda pensa em mim? O que nos uniu foi a minha ilusão, mas quando isso aconteceu já era tarde demais... Você já não era mais parte do todo; se é que ele um dia existiu.
Agora eu fico aqui, escutando a música repetidamente na esperança de que os acordes me tirem dos devaneios e me tragam de volta para a vida real. E esperando, acima de tudo, compreender um fato elementar: a gente é feito pra acabar.
Engraçado pensar que quando tudo começou não era nada sério. Eu fui me deixando levar pela despretensão, sem nem ao menos pensar no fim que a nossa "história" poderia ter.
A música continua tocando... Aquela música que me fez chorar como uma criança ao perceber que não, eu não te encontraria ali no meio da multidão. Nem ali, nem em lugar nenhum. Cada nota do piano parecia caçoar de mim, dos meus sentimentos tão frágeis quanto as lágrimas que eu tentei esconder com os óculos de sol.
Você ainda pensa em mim quando alguma música começa a tocar? Você ainda pensa em mim? O que nos uniu foi a minha ilusão, mas quando isso aconteceu já era tarde demais... Você já não era mais parte do todo; se é que ele um dia existiu.
Agora eu fico aqui, escutando a música repetidamente na esperança de que os acordes me tirem dos devaneios e me tragam de volta para a vida real. E esperando, acima de tudo, compreender um fato elementar: a gente é feito pra acabar.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
O Sol e as memórias
Seu cabelo ainda está no meu travesseiro. Seu cheiro ainda está grudado em mim. Só faz uma semana que você foi embora, mas eu sei que dessa vez você não vai voltar. Então eu fico me agarrando às lembranças de nós dois, enquanto tento ignorar o sofrimento.
Já tentei várias maneiras de me libertar, mas você parece sempre vencer. Exausta pelas tentativas, eu cedo e me deixo levar com a avalanche de memórias.
A certeza da perda é maior que a esperança do reencontro; de qualquer maneira, eu procuro seu olhar no meio da multidão de semblantes desconhecidos. Faço isso até que eles se tornem ameaçadores, e então eu fecho os olhos, resignada.
Agora você está longe, eu sei, e não há mais nada que eu possa fazer. O que me acalma é pensar que o Sol que me acorda é o mesmo que banha a sua pele, todas as manhãs. E assim, dou início a mais um dia sem você. Porque é desse jeito que as coisas devem ser.
Já tentei várias maneiras de me libertar, mas você parece sempre vencer. Exausta pelas tentativas, eu cedo e me deixo levar com a avalanche de memórias.
A certeza da perda é maior que a esperança do reencontro; de qualquer maneira, eu procuro seu olhar no meio da multidão de semblantes desconhecidos. Faço isso até que eles se tornem ameaçadores, e então eu fecho os olhos, resignada.
Agora você está longe, eu sei, e não há mais nada que eu possa fazer. O que me acalma é pensar que o Sol que me acorda é o mesmo que banha a sua pele, todas as manhãs. E assim, dou início a mais um dia sem você. Porque é desse jeito que as coisas devem ser.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Nostalgia
Confusão de sentimentos
Uma noite, um tormento
Eu grito que te amo
pra você me escutar
Meus olhos como flashes
como lentes de aumento
tiram fotos dos momentos
que pra sempre vou lembrar
Cada minuto, cada segundo
que parece não durar
Fecho os olhos e suspiro
Tenho tudo onde está
Um sorriso pousa, inerte
e as lágrimas não vem
Por magia, eternamente
a ternura se mantém.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Resenha - Moonrise Kingdom
A
história de um jovem casal que se apaixona e decide fugir em meados dos anos 60
pode parecer estranha ao ser aplicada aos personagens principais, crianças de
doze anos. Este é, basicamente, o enredo de Moonrise
Kingdom, de Wes Anderson. Um dos elementos mais cativantes do filme, porém,
é a maneira delicada e divertida com que tal enredo é retratado.
Suzy
é uma garotinha rebelde que participa de um coral de igreja e tem problemas com
os pais. Sam é um escoteiro dedicado às suas atividades, com muito interesse em
técnicas de acampamento. Eles se conhecem em uma das apresentações de Suzy, e a
partir daí começam a trocar cartas e bilhetes que mais tarde se transformam em
um plano de fuga para ambos, cansados de suas vidas monótonas.
O
desenrolar dos fatos, que não ocorre de maneira totalmente linear, é
acompanhado de uma trilha sonora simples e coesa. Ela é, em sua maior parte,
constituída de cantos gregorianos por vozes infantis, o que remete à igreja e
às crianças, estabelecendo uma ligação entre dois itens importantes do filme.
Com uma fotografia convidativa e
um enquadramento que beira a perfeição, Wes trabalha com uma exploração
agradável dos aspectos técnicos, que permeia também a escolha de cores,
condizente com a história e a época retradadas no filme.
A
obra é delicada, tratando com sutileza a fase de transição entre infância e
pré-adolescência vivida pelos personagens principais, que é marcada pela união
entre inocência e curiosidade à medida que eles se apaixonam.
Pode-se
estranhar a princípio o modo adulto com que Suzy e Sam agem, com atitudes
maduras que não fazem parte do comportamento de crianças de doze anos. A todo o
tempo, os dois são representados com um espírito de independência, coragem e
racionalidade, ao longo de sua fuga pela floresta. O estranhamento, contudo,
transforma-se em empatia no decorrer do enredo, ao nos depararmos com um
casalzinho simpático e despretensiosamente “apaixonado”.
Tendo
como base uma história divertida e tola, o diretor consegue trabalhar de modo a
inserir emoção ao enredo, com dramas casuais familiares que envolvem perdas e
traições. Tal inserção não é determinante para que o filme seja concebido de
maneira dramática, assim como a sutileza no humor da trama impede a propulsão à
comédia nonsense. Moonrise Kingdom,
dessa forma, é um filme leve e bem equilibrado que explora o imaginário
infantil em relação ao primeiro amor.
sábado, 13 de abril de 2013
Resenha Literária - A Culpa é das Estrelas
A Culpa é das Estrelas é um romance de John Green que narra a história de dois jovens com câncer. Hazel Grace tem câncer nos pulmões e Augustus Waters tem osteossarcoma, um tipo de câncer nos ossos. Eles se conhecem em um grupo de apoio da Igreja e juntos partilham um romance digno de um filme hollywoodiano.
A
narrativa presente no livro, na perspectiva da garota, flui de maneira fácil e
despretensiosa, prendendo o leitor com pitadas de humor negro e trechos
inteligentes. Os personagens são divertidos e as situações vividas por eles são
das mais diversas, tendo sempre a doença como plano de fundo.
Entretanto,
o clichê presente no par antitético formado entre doença e amor parece forçar a
barra em alguns momentos do livro: o autor deixa bem claro, através da
narrativa da garota, que ambos estão conscientes da morte e ao mesmo tempo se
amam incondicionalmente, o que pode soar um pouco exagerado ao se considerar
suas idades (16 e 17 anos). Além disso, há certos momentos em que a
protagonista parece não ter emoções que seriam de se esperar que naturalmente
surgissem, o que pode incomodar um pouco o leitor mais sentimental.
Apesar
de conter uma mensagem bastante interessante sobre a tragédia da vida e do
amor, a obra parece pré-programada para aflorar emoções de pré-adolescentes
bobinhas. Durante todo o enredo, o livro segue à risca a receita para uma
história de drama romântico de sucesso, abusando de frases prontas que já
provaram sua força no mundo literário juvenil. Na medida em que são percebidas,
essas características fazem com que o “drama” perca sua beleza, se tornando
deveras artificial e superestimado.
Julgamentos
à parte, A Culpa é das Estrelas é um
livro de leitura fácil e relaxante, recomendável para ser lido sem grandes
expectativas. Ele acaba convencendo na concepção de drama água-com-açúcar em
que provavelmente foi escrito. O que atrapalhou a obra foi sua superestimação
por parte do público-alvo leitor.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Pelo amor ou pela dor
Não queria que as coisas tivessem tido esse desfecho. Eu sei que todas as coisas passam, mas eu queria que a gente tivesse durado mais. Mesmo assim, não teria feito nada diferente se pudesse voltar atrás, foi tudo bom da maneira em que aconteceu.
O que me incomoda, de verdade, foi o nosso adeus. Ou melhor, a falta dele. Tudo acabou tão de repente! Em um momento estávamos juntos, no outro, separados por uma barreira invisível e intransponível. O que foi que aconteceu? Alguma inconveniência do destino, ou puro descaso provocado pelas mudanças?
A vida às vezes prega essas peças na gente, mesmo: vem o futuro, as mudanças, novidades... E de repente nós já estamos completamente desligados do que antes era o presente. E o que antes tinha uma aparência imutável, permanente, se transforma em efêmero, distante... Tão distante que não dá mais pra voltar atrás e tentar resgatar o que ficou perdido. Assim é a vida, assim é seu caminhar. De qualquer maneira, ainda não aceito que o tempo tenha nos vencido para dar espaço à coisas que não necessariamente são melhores do que aquelas vividas por nós.
O que me incomoda, de verdade, foi o nosso adeus. Ou melhor, a falta dele. Tudo acabou tão de repente! Em um momento estávamos juntos, no outro, separados por uma barreira invisível e intransponível. O que foi que aconteceu? Alguma inconveniência do destino, ou puro descaso provocado pelas mudanças?
A vida às vezes prega essas peças na gente, mesmo: vem o futuro, as mudanças, novidades... E de repente nós já estamos completamente desligados do que antes era o presente. E o que antes tinha uma aparência imutável, permanente, se transforma em efêmero, distante... Tão distante que não dá mais pra voltar atrás e tentar resgatar o que ficou perdido. Assim é a vida, assim é seu caminhar. De qualquer maneira, ainda não aceito que o tempo tenha nos vencido para dar espaço à coisas que não necessariamente são melhores do que aquelas vividas por nós.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Resenha - Ferrugem e Osso
“Ferrugem
e Osso” é um drama francês de 2013, dirigido por Jacques Audiard. É baseado em
um livro de mesmo nome (Rust and
Bone em inglês) e foi indicado a vários prêmios, como a Palma de Ouro em
Cannes e o Globo de Ouro.
O filme conta a história de Ali, que se vê desempregado com um filho de cinco anos para cuidar. Ele decide ir morar com a irmã e consegue arrumar um emprego como segurança de boate. É lá que ele conhece Stephanie (Marion Cotillard – linda como sempre!), ao apartar uma briga. Ela é treinadora de orcas, até que um dia sofre um acidente em seu trabalho que a faz perder as duas pernas. Esse é, basicamente, o contexto em que se desenrola o enredo do filme, permeado por sentimentos como solidão, incapacidade e amor.
À medida que vão se conhecendo
melhor, Ali e Stephanie desenvolvem uma relação que a princípio pode ser
caracterizada como amizade, mas que ao longo do filme vai tomando outras formas,
o que dá espaço para uma exploração de vários quesitos técnicos do filme de
maneira bonita e tocante.
A fotografia do filme é muito bonita, com cenas iluminadas (adoro!) e enquadramentos bem feitos. As cenas da praia e o “reencontro” de Stephanie com a baleia merecem destaque nesses aspectos. No geral, o filme consegue transmitir a mensagem que deseja através do cenário e do ambiente, o que é bem interessante, pois provoca uma imersão do espectador na história. Entretanto, é possível sentir certo vazio nas transições entre as cenas. Muitas vezes, elas parecem um tanto desconexas e abruptas, fazendo com que o filme apresente uma deficiência na fluidez das imagens.
A trilha sonora é um caso à parte! A primeira faixa é Wash, do Bon Iver. Também faz parte da trilha a música Firework, da Katy Perry, que combina muito bem com a cena. A escolha das faixas é pertinente durante todo o filme, unindo-se com as imagens de maneira quase perfeita. A seleção de Wolves (Act I and II), também do Bon Iver, dá um ar nostálgico e emocionante à última cena.
Mesmo podendo ser um pouco cansativo em alguns momentos, Ferrugem e Osso é um bom filme, com bons momentos e uma história muito bonita. Interessante ressaltar que mesmo sendo um filme dramático, o andamento do filme não provoca aquela sensação de que foi feito para fazer chorar. Ele passa longe de dramas clichês, sendo simplesmente bonito.
O filme conta a história de Ali, que se vê desempregado com um filho de cinco anos para cuidar. Ele decide ir morar com a irmã e consegue arrumar um emprego como segurança de boate. É lá que ele conhece Stephanie (Marion Cotillard – linda como sempre!), ao apartar uma briga. Ela é treinadora de orcas, até que um dia sofre um acidente em seu trabalho que a faz perder as duas pernas. Esse é, basicamente, o contexto em que se desenrola o enredo do filme, permeado por sentimentos como solidão, incapacidade e amor.
A fotografia do filme é muito bonita, com cenas iluminadas (adoro!) e enquadramentos bem feitos. As cenas da praia e o “reencontro” de Stephanie com a baleia merecem destaque nesses aspectos. No geral, o filme consegue transmitir a mensagem que deseja através do cenário e do ambiente, o que é bem interessante, pois provoca uma imersão do espectador na história. Entretanto, é possível sentir certo vazio nas transições entre as cenas. Muitas vezes, elas parecem um tanto desconexas e abruptas, fazendo com que o filme apresente uma deficiência na fluidez das imagens.
A trilha sonora é um caso à parte! A primeira faixa é Wash, do Bon Iver. Também faz parte da trilha a música Firework, da Katy Perry, que combina muito bem com a cena. A escolha das faixas é pertinente durante todo o filme, unindo-se com as imagens de maneira quase perfeita. A seleção de Wolves (Act I and II), também do Bon Iver, dá um ar nostálgico e emocionante à última cena.
Mesmo podendo ser um pouco cansativo em alguns momentos, Ferrugem e Osso é um bom filme, com bons momentos e uma história muito bonita. Interessante ressaltar que mesmo sendo um filme dramático, o andamento do filme não provoca aquela sensação de que foi feito para fazer chorar. Ele passa longe de dramas clichês, sendo simplesmente bonito.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Vida Plena
Meu escudo é minha determinação, minha bagagem são as memórias, e assim eu vou caminhando, colhendo as flores que me aparecerem no caminho e me desviando das pedras e buracos, já que eles também existem. Quem quiser me acompanhar nessa jornada será muito bem-vindo.
E é assim, nessa caminhada gloriosa, que eu sigo intuitivamente, na esperança de concretizar o desejo de uma vida plena, com realizações memoráveis, enganos divertidos e lembranças nostálgicas. Mas, acima de tudo, a certeza de deixar a longa caminhada circundada por pura paz de espírito.
sábado, 30 de março de 2013
O futuro é logo ali
Infelizmente, as coisas não saíram como o esperado. O sonho, tão cultivado durante anos, não foi realizado e, no lugar dele, veio uma realidade assustadora e repentina.
É agora. O resultado de uma preparação que durou a vida inteira está se aproximando. Apesar de ter sido rejeitado a princípio, ele deve ser encarado com uma postura nunca antes exigida: madura e séria.
Sim, é normal que surjam dúvidas em alguns momentos de desespero contido. Afinal, o que vem aí é a representação de um rompimento semipermanente com tudo o que já é conhecido, dando espaço para o início de uma vida nova. O desconhecido e o incerto assustam, e suplicam pela coragem e determinação; coragem para enfrentar as novidades que surgirão e determinação para cumprir da melhor maneira o que sempre foram promessas silenciosas, daquelas feitas antes de dormir.
Para cada expectativa há um medo, contrabalanceando e formando um turbilhão de pensamentos. Não é possível prever o que vem pela frente, e o que resta é viver e ver no que dá. O futuro é logo ali.
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